Sobre a vida

Ser livre

Não faziam nem dois minutos que eu tinha acordado e já pude perceber meus pensamentos. O primeiro era sobre os documentos que minha mãe queria que eu assinasse, depois sobre como nossa relação com a comida se tornou medrosa e doente. É sério. Já parou pra pensar no tanto de informação esse assunto gera? Todo mundo parece ter uma opinião sobre comida.

“Corte o açúcar.”
“Coma comida de verdade.”
“Cuidado porque mesmo as comidas de verdade estão cheias de veneno, prefira orgânicos.”
“Fique atento nas empresas que alegam vender orgânicos quando na verdade estão veneno!”
Veneno. Veneno. Veneno.
Será que o veneno vem só através da comida?

Nem dois minutos, e eu estava longe de me dar bom dia e agradecer por estar viva. E é assim que passo a maior parte dos meus dias. Pensando. Prevendo. Acordar dessa maneira, intoxicada por tantos pensamentos, estava deixando minha respiração curta e o meu corpo tenso. Isso não é sinal de saúde. Isso também é veneno.

A forma como você vive seus dias, é a forma como vive a sua vida.
– Annie Dillard

Deve ser por isso que tantos Gurus falam sobre viver o momento presente, é a única forma de enxergar o que é real e estar aberto para nossa vida. Nós tentamos antecipar as situações, tentamos estar preparados, mas quando as coisas acontecem, nunca é exatamente como imaginamos.

É por isso que venho tendendo a esse estilo de vida mais consciente, procurando perceber o que estou pensando e sentindo, a maior parte do tempo. Cansei de viver oprimida, preocupada, enquanto nada acontece. Acordando presa em pensamentos que nada têm de real no momento, perdendo todos os presentes que estavam disponíveis para mim.

Então me espreguicei, respirei fundo, dei bom dia ao Sol e agradeci por mais um dia nesse lindo planetinha. Sorri. Vi meu amor dormindo ali do meu lado e me dei conta de que o dia pode fluir, e que isso não significa que não farei nada, mas que farei as coisas com mais presença e escolha.

Lembrar que é possível levantar devagar, lembrar de uma música que amo, lavar o rosto com calma, sentir a água fria nesse tempo quente. Destrancar a porta, pegar meu peludinho no colo, dar um beijo no meu filho, e ir até a cozinha beber água fresquinha, recém tirada do filtro.

Na primeira versão do dia, a automática, a “sem escolha”, eu acordaria preparada para uma guerra. A guerra de uma pessoa só: Eu contra mim mesma. Na segunda versão do dia, escolhi ser livre, livre de todos esses pensamentos, observar o que era REAL ali, e decidir de que forma eu gostaria de fazer todas as outras coisas.

Ser livre. É uma escolha.

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