Vida

Minimalismo e Slow Living

​Esse termo “minimalismo” sempre me incomodou. Tendo uma natureza consumista, eu não queria abrir mão dos luxos que eu amava, e imaginava que ser minimalista seria como entrar em uma “seita” onde as pessoas pareciam muito mais evoluídas e desapegadas. Eu não queria ter que viver numa tiny house.

Mas no ano passado fui pedida em casamento, e a primeira coisa que uma noiva faz, depois de sonhar com o grande dia, é pedir orçamentos. Como você deve imaginar, orçar casamento acaba com grande parte dos sonhos, e a pessoa se vê obrigada a encarar as finanças, eliminar despesas supérfluas e começar a ficar consciente do que está escolhendo. E quando você traz consciência para um aspecto da sua vida, você a leva para todos.

A primeira coisa que eu fiz foi colocar no papel todas as nossas despesas, comparar com nossas receitas e perceber onde estava o ralo que fazia o dinheiro ir embora tão depressa. Percebi que gastava mais de mil reais no mercado, e que as compras não eram as mais saudáveis, influenciando inclusive outros aspectos da minha vida, como o sobrepeso.

Também percebi que nossos gastos com lazer se limitavam a restaurantes, que nem eram tão especiais assim, só enchiam nosso orçamento por preguiça, falta de planejamento e… tédio. Eu estava gastando por tédio! Quando calculei quanto sobraria ao eliminar esses e outros gastos da nossa rotina, me surpreendi com a quantia, e percebi que se aceitasse o desafio de viver de maneira frugal por alguns meses, nossos sonhos se realizariam.

Poderíamos casar, poderíamos viajar, e ter uma vida cheia de momentos incríveis ao invés de comida.

Você quer saber se foi fácil? A resposta é sim.

Comecei a gostar de estar consciente desse setor tão importante que é o financeiro. Criei uma planilha, defini metas para cada área, comecei a planejar o mês antes de entrar nele. Hoje os gastos com lazer são mais prazerosos, pois não limitei apenas mas comecei a gastar melhor. O resultado é tão gratificante que você começa a levar essa mentalidade para outros setores da vida. Começa a associar estar consciente com felicidade. E é aí que entra o minimalismo.

​Minimalismo é um estilo de vida que busca trocar o excesso pelo essencial. Não é só ter menos coisas, e nem só ter coisas úteis, mas ter coisas que tragam valor pra sua vida. São menos coisas, porém mais valiosas. Diminui as distrações, que geram estresse. ​Elimina o barulho mental, tornando a mente mais clara e limpa. Não é um modismo, é uma mentalidade. Um estilo de vida focado, onde viver é a prioridade.

Por que viver é a prioridade? Por que a busca ansiosa por “ter mais” está tirando nosso tempo, e tempo é vida.

Estamos nos habituando a não lidar com problemas, achando que tudo é difícil demais e que é mais fácil tapar o sol com a peneira e deixar pra lá, se distrair. Mas não estamos felizes, estamos? Não estamos realizando nada!

Ser minimalista te tira da distração por que te faz encarar o motivo pelo qual você precisa das coisas. E quando você percebe que gasta por tédio, tem bagunça em casa por culpa e se alimenta por frustração, vê que não dá mais pra viver assim. Começa a querer mais pra si. Começa a querer encarar o verdadeiro problema, indo na raíz da questão. Reconhece a potencialidade que é viver a vida de acordo com as suas próprias regras, com mais significado.

​A boa notícia é que as coisas já estão mudando. O mundo já está começando a se conscientizar. Hoje em dia, falamos sobre consumo consciente, sustentabilidade, procedência. Já vemos isso acontecendo na moda, na culinária, nos cosméticos. Nessa última páscoa houveram muitas mensagens do tipo “compre de quem faz”. Estamos começando a fazer escolhas mais conscientes.

O minimalismo atinge a sua vida de muitas maneiras. Você vai perceber mudanças no setor:

  • Financeiro: Saindo da ansiedade por gastar, parando de comprar por distração, direcionando o seu dinheiro para o que é importante, você pode começar a investir em sonhos de longo prazo como viajar e conhecer lugares novos.
  • Ambiente: Uma casa bagunçada cria distração e estresse. Repensando o motivo pelo qual mantém alguns objetos, percebe que pode (e quer!) se desfazer de alguns deles. O sentimento ruim atrelado a eles também vai embora, e sua casa fica mais leve, mais limpa, com energias melhores e muito mais a cara de quem mora nela.
  • Trabalho: Simplificando o que deve ser feito, você se aprofunda no que é essencial. Se torna mais produtivo não pela rapidez com que faz as coisas, mas pela presença e competência que coloca nelas.
  • Saúde: Seu alimento é o seu remédio. Do quê você realmente sente fome? Quando toma consciência e está presente para fazer escolhas melhores, os resultados de exames mudam, e os números da balança diminuem.
  • Digital: Se tornando mais consciente, começa a escolher como quer se sentir, e com isso pára de seguir pessoas que te fazem mal e exclui mídias sociais que já não te acrescentam. Equilibra melhor seu tempo na frente das  telas e fora delas.
  • Mental: Passe um dia prestando atenção aos seus pensamentos e vai perceber o tanto de coisas ruins que diz a si mesmo, todos os dias. Isso se chama lixo mental. Quando você se conscientiza do quão danoso é o papo mental, se dá oportunidade de escolher pensamentos melhores. Parece besteira, né? Mas muda vidas!
  • Relacionamentos: Priorizando o que te faz bem e usando o tempo a seu favor, você consegue estar mais presente para quem você ama. Seja marido, filho ou amigos, quando a pessoa é feliz tem mais facilidade de ter bons relacionamentos.

E o que o minimalismo tem a ver com Slow Living?

Bom, quando você desapega do que não é essencial, ganha tempo. Já não é necessário fazer nada correndo, tudo é feito com presença e amor. Sobra tempo para trabalhar no que ama, ouvir música relaxando no sofá, ou comer com calma. Tempo pra se conectar com a vida que você tem, com quem você é de verdade, sem se distrair com o que poderia ser, ou onde poderia estar.

Você passa a colecionar memórias, experiências, encarando a própria vida como algo valioso.

No final das contas, não abri mão dos luxos que amo, não entrei numa seita e nem vivo numa tiny house, mas já não me sinto tão ansiosa, gosto mais da vida que levo e estou aprendendo, a cada dia, a fazer escolhas melhores pra mim.

E acredito que é daqui pra melhor!

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2 Comments

  • Reply
    Guilherme Rodrigues
    11/05/2018 at 10:32 pm

    Excelente texto!! Parabéns! Resumiu muito bem o que é o minimalismo, pelo menos o que entendo também que seja 🙂

    • Reply
      Aline
      14/05/2018 at 11:35 am

      Obrigada! Minimalismo é VIDA! <3

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